Dancinha

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sábado, 15 de agosto de 2009

Tortas palavras. Tortos propósitos?

Que malucos de toda origem e todo tipo andam soltos por aí, disso não há dúvida. Na mídia não seria diferente, é até pior. É maluco falando de tudo, e de todos. Um grupo especial, dentre os malucos, se destaca, pela persistência e bizarria: são os viúvos e viúvas da ditadura militar, período que serviu de cenário cinzento para trecho substantivo da história de minha geração.

No Estado de Minas de hoje, na coluna intitulada Aviação, um tal Antônio Nascimento mostrou seu tino para carpideira daquele passado. Tratando da enrolada concorrência para a compra de novos caças para a FAB, ele lamenta o adiamento da compra ainda no governo de FHC, e a transferência da decisão para o governo Lula. E cravou a preciosidade: "O governo que o sucedeu (governo Lula) julgou oportuno cancelar o primeiro certame, talvez assessorado pelos seguidores da doutrina marxista que o cercam". Esse cavalheiro anda hibernando, ou esteve lendo sua coleção de jornais antigos.

No mesmo exemplar do EM, mas num cantinho do obituário, registra-se a morte de outra maluca que se exerceu na mídia, mas que era do bem, ao menos acreditava e queria ser. Depois de 10 anos fora de combate, aposentada e doente, calou-se de vez a voz da Glória Lopes, ícone do radiojornalismo policial em Minas Gerais. Temida igualmente por bandidos e policiais, ela invadia as ondas com seu tom marcante e vozeirão grave. Fazia-se de justiceira e de guardiã dos frágeis e miseráveis, esfregava na cara dos marginais os desabafos que as vítimas sonhavam fazer. Não raro eu seguia cedinho para o trabalho ouvindo suas histórias. Umas duas vezes mandei meus alunos de comunicação social entrevistá-la, eles voltavam entre intrigados e fascinados com aquela mulher miúda, de cara banal, tão diferente das impressões que produzia em suas emissões radiofônicas. Olho pra trás, vejo que aqueles sons foram se perdendo num passado distante, possivelmente romântico.

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