Dancinha

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terça-feira, 25 de setembro de 2012

A mana e a Schutz

Lembrança gostosa que relatei, hoje, num comentário no Facebook da Pá Andrés:

No dia em que os homens se tornarem sapatos (nada a ver com o destino de serem pisados), a humanidade flutuará em perene love. 

Uma historinha inesquecível: Angela, minha irmã mais velha, estava nas últimas, vitimada por fulminante leucemia. Fui vê-la pela derradeira vez no hospital em Petrópolis, onde ela vivia. Fiquei segurando sua mão, sem aparente contato. Ela me olhava com olhar semi-aberto, profundamente distante. 

Saiu, à beira da cama, uma conversa, puxada por sua filha, sobre a sandália nova que eu estava usando. De repente, não mais do que de repente, não sei de que ponto daquela fragilidade, a voz da mana soou clara e firme: "SCHUTZ, ADOOORO!!!". Foi a última coisa que ouvi dela, e hoje, basta ver um Schutz pra sorrir dessa história, e pensar no quão imprevisível sempre serão as mulheres.

sábado, 15 de setembro de 2012

Boa de estratégias.


  
foto feita há mais ou menos uma década

Ontem, ao visitar meus velhos na Acolher, residência de idosos, onde vivem, logo vi que minha mãe tinha algum assunto excitante pra puxar o papo.

Passou a mão no caderno "Informática", do Estado de Minas, que estava sobre a cama, e veio com jeito: - "interessante essa tal de nanotecnologia (e disse-o bem pronunciado). Me explica umas coisas aqui..."

A conversa demorou o tempo necessário pra eu demonstrar minha quase ignorância sobre o tema. Ela suspirou, pensou, constatou a sorte dos netos, dos meninos de hoje que, disse ela, vão aproveitar as vantagens que virão dessas invenções.

Aparentemente, mas só aparentemente, mudando de assunto, ela disse que o que quer mesmo é ter tempo para visitar a nova Catedral Metropolitana, de Beagá, que deverá ser inaugurada daqui a dois anos, me informou.

Sapeca que só ela, dona Regina, a dita cuja, tem montado belas estratégias para cercar os dribles da Malvada, da Indizível, da Certeira, e vai esticando o jogo que ainda tanto lhe entusiasma. Já meu pai anda mais quieto, como se acomodado no banco de reservas. É a fase, diria um craque.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sobrevivi...


Extraio do emocionante "A Queda", do Diogo Mainardi, que vou lendo no iPad:

Em 1939, "o Ministério do Interior de Adolf Hitler.... determinou que todos os recém-nascidos inválidos fossem denunciados às autoridades do regime.
O regulamento... mencionava, em particular, os portadores de 'mongolismo, de microcefalia, de hidrocefalia, de deformidades nos membros ou na coluna, e de paralisia, incluindo espasticidades'.
Em 1* de setembro de 1939, começou a II Guerra Mundial.
No mesmo dia, Adolf Hitler assinou um memorando secreto regulamentando seu programa de eutanásia".
Os médicos deveriam "decidir se aqueles que tinham, segundo o melhor juízo humano, moléstias incuráveis poderiam beneficiar-se, depois de atentos exames diagnósticos, de uma morte piedosa".
Morte piedosa era assegurada "àqueles que tinham uma 'vida sem valor' e uma 'vida inútil de ser vivida'.
Na primeira fase do programa de eutanásia de Adolf Hitler, foram mortos cinco mil recém-nascidos inválidos".

Para felicidade quase geral, e pra mim especialmente, Hitler perdeu a Guerra.
Nove anos após o memorando, eu nasceria nesse canto do mundo que poderia estar integrado ao sonhado império de Hitler.
Escapei da morte piedosa, e pude avaliar por conta própria (o que continuo fazendo todo dia) se a vida tem valor, e se ela é inútil de ser vivida.

Continuo sobrevivendo. A cada dia.