Dancinha

Dancinha

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Basta adoecer?



O adoecer é democrático, se é que podemos dizer assim. Está ao alcance de qualquer um, mesmo daqueles que se apresentam como modelo de robustez e vigor, o que em absoluto não é o meu caso. Se a doença não nos acha em campo aberto, sempre sabe nos esperar naquela viela escura.
Adoeceu? Para a maioria, aí a tragédia mal começou. No atendimento, e na terapêutica subsequente, vai se conhecer verdadeira via-crucis. Isso num país como o nosso, criador do SUS, o maior projeto de saúde pública no mundo... para o qual, parece, vêm faltando dinheiro, e a famosa vontade política. Isso é outro assunto.
Sou um privilegiado. Fui atendido com presteza num bom hospital (Lifecenter), apoiado pela CASU, excelente plano de saúde, ao qual, sendo servidor da UFMG, me associei no dia mesmo de sua fundação. O plano de saúde vem me garantindo sessões de fisioterapia, e alugou por 15 dias os equipamentos nos quais hoje escoro meu tratamento.
O concentrador de oxigênio e o BIPAP (que zela por meu sono, espantando apnéias, me soprando nas narinas o ar que pretende regularizar minha vida e meus sonhos), apresentados na foto, agora estão aqui por minha conta, em regime de aluguel. Dá vontade até de dizer: adoecer é fácil, difícil é garantir mensalmente os R$ 650,00 do BIPAP (a pedida inicial foi de R$ 900,00, e só baixou com muito choro), mais os R$ 220,00 do concentrador de oxigênio. Acho que não teria meios nem saúde para garimpar essas coisas no sistema público. É meio injusto e incômodo, mas fico feliz da vida por aguentar esse tranco, por ter ainda de onde tirar.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Onde tudo começou


Furo! Exclusivo! Nosso modesto blog revela a cena da origem da gripe suina, e tira as dúvidas sobre quem seria o "paciente zero".

Cultura genérica 01


O que é o objeto estampado ao lado? 
Uma pista: ele hoje comanda minha vida, ando dependendo dele tanto quanto dos chamegos da Katinha, minha mulher. Se você é hipocondríaco, já começa em vantagem.
Estando com paciência, e sem assunto, escolha uma das seguintes alternativas. Os cinco primeiros acertadores ganharão um par de ingressos para o "Bailão da Apnéia". Data e local serão comunicados na oportunidade.
Vamos lá. O objeto é:

- uma bijuteria quase exclusiva, com design sino-paraguaio;
- um tocador de MP3, onde, ao ligar, se ouve a voz de um Velho Guerreiro perguntando: "vai para o oxigênio, ou não vai?";
- um instrumento vendido em sex-shops, no qual, bastando introduzir a pontinha do dedo indicador, passa-se a sentir impulsos, digamos assim, danadinhos e inconfessáveis;
- um medidor digital de resistência às tentações de uma deduragem;
- uma combinação excêntrica de tais opções.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Togu é um barato!


Dizem por aí que amizade, e amor, de internet é coisa fugaz, sem consistência ou compromisso. Não sou um expert, além do mais sou mineirinho da gema e desconfiado, mas minha vivência nas ondas meio encantadas desse tal ciberespaço me leva a discordar de tal sentença radical. A internet, em termos de relacionamentos pessoais, vem me contemplando com agrados e surpresas, vem me enriquecendo ao dilatar e sofisticar meu senso existencial, ao ridicularizar os preconceitos que se fazem de camaleões, fingindo inexistir na minha mente e na minha fala.
O Togu é uma grande mostra dessa descoberta. Gente fina, artista plástico, sabe cultivar amigos recorrendo àquele mistério que só os encantadores conhecem e decifraram. Ele é meu grande e carinhoso amigo, a cada visita online aprendo uma novidade, apreendo um sentimento novo.
Acho que vale a pena conhecê-lo lá em seu ateliê
http://www.ateliestudiomedusa.blogger.com.br/

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Rei morto, rei morto...


Acho que não só por pura picardia, mas também pelo estresse causado pelas infindas idas e voltas no trecho de Uberaba a Brasília, e vice-versa, em busca de amor e paz, o amigo Alenquer deu de me difamar. Andou dizendo por aí que, sem barba, e mantido o bigode branco, estou a cara do ACM, o avô daquele galinho de briga que pode ser visto nos melhores momentos da TV Câmara. E Bebete, olhar fixo no infinito horizonte do DF, na certa se pergunta: " terei jogado pedra na cruz pra merecer um tal destino?"

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Louco por nós


Na certa você já conviveu, mesmo que não de muito perto, com episódios severos de sofrimento mental. Um daqueles pacotaços que costumam nos apresentar com o carimbo de loucura. Primeiro impulso mais usual, acionado pela família, até por amigos: negar, disfarçar, maquiar as aparências. O tempo, ele mesmo, o sempre implacável, se encarrega de demonstrar a infelicidade, mesmo a imbecilidade de tal gesto. No passado talvez não houvesse alternativa ou saída, obrigando a tais terríveis gestos. Hoje, a exclusão social ou familiar do doente mental é ação da mais requintada covardia, do mais vil desleixo. Coisa que a ignorância não justifica, mesmo que possa amenizar.
Glória Perez é mestre na difícil arte das telenovelas, e, dentro delas, mestre na abordagem de temas delicados, conseguindo aí manter reduzido o grau de apelação e baixaria. Coisa de quem sabe fazer, de quem consegue, deixando de lados recursos manjados, espalhar sementes de reflexão e de compaixão no sofá, na mesa, e mesmo na cama de dezenas de milhões de brasileiros. Sei que não é bonito tê-la, mas confesso minha inveja. As novelas servem doses cavalares de xarope, mas servem também fortificantes e vitaminas. Elas chacoalharam, e empurraram adiante, a história cultural de nossa pátria grande e boba, mas isso é outro assunto, com choros próprios.
 Esse papo todo visava apenas registrar as emoções trazidas pelo personagem Tarso, vivido com extraordinário talento pelo  ator Bruno Gagliasso em "Caminho das Índias", e registrar, ainda, a delicadeza com que Glória Perez - como se emprestando uma lupa a cada espectador - nos conduz à intimidade de um surto e de todo o drama que o cerca. A cena partilhada ontem por Tarso, em crise nos confins de seu quarto, e por sua irmã, interpretada pela Maria Maya, foi arrasadora. Perdi o fôlego (artigo que anda em falta por aqui), dividi com a Katinha umas lágrimas sem vergonha.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Sites e blogs

As pessoas costumam desenvolver sites, dentre outras coisas, para expor, vender, divulgar pessoas, idéias, produtos, e assim por diante. Nosso lugar de leitor, consumidor ou apreciador num site, em geral, aparece principalmente na hora de comprar, de se cadastrar, participar de promoções e, quando muito, dar opinião, que vai parar não se sabe bem onde.
Os blogs foram concebidos para ocupar lugar radicalmente diverso, embora para a maioria dos internautas (aí incluo-me) ainda seja difícil perceber, mais que isso, exercer as diferenças. A gente acessa um blog, percebe que os textos, as imagens etc postados ali gozam de mais liberdade, ao mesmo tempo em que se expõem mais ao risco, à crítica e à polêmica. É, a gente até percebe, pressente, mas age com excessiva cautela ou preguiça, como não querendo se expor, entrar em campo, rabiscar nos comentários, ou nos comentários dos comentários, sua concepção pessoal: consensos, dissensos, indiferenças, seja lá o que for. O que importa é enriquecer o papo, acreditar na relevância de nossas opiniões e impressões próprias.
Quando a gente, pelo bem ou pelo mal, se interessa por um blog qualquer, e se manifesta apenas com um email, sempre honroso, para o autor, o que acontece? O que poderia ser um incremento para enriquecer um papo coletivo, sobre que assunto for, acaba indo morrer num desses arquivos privados que todo computador costuma ter, aguardando o dia da catástrofe, ou do descarte final. Ora, direis num momento de insensatez ou de lerdeza: "é que não tenho o que dizer, não sei me expressar, e o que importa o que penso?". Dê umas feriazinhas ao orgulho e aos excessos da vaidade e dos temores, e tente! Ficar calado por princípio, evitar contestar o que lhe aborrece e contraria, achar que o mundinho e o mundão não são problemas seus, isso não é auspicioso, como diria qualquer daqueles pé-rapados que frequenta a novela global das nove.
Na medida do possível, estarei transferindo os emails que recebo, referentes às acontecências do blog, para a área de comentários (sempre presente após cada texto, imagem etc, cada nova postagem). Vamos ver se vai dar certo...

domingo, 19 de abril de 2009

Assim falou mestre Lair... repercutindo o bilhete amigo

Meu caro amigo Paulinho:
Em primeiro lugar quero registrar quão lindo e saudável você está sem barba, em segundo nota-se em ambas as fotos o semblante sorridente e otimista que sempre se fizeram presentes em você.
Estou sabendo agora que experimentou recentemente essas aflições, comuns a nós pobres seres mortais. O que acho mais interessante é que a natureza, às vezes se nos impõe estratégias aparentemente cruéis para desvendarmos um pouco de nosso inconsciente, com o intuito de alcançar o nosso self, numa tentativa de harmonizar o nosso ego e o inconsciente, a nossa verdade. Momentos, como você mencionou, de medo, nervosismo, risos, reflexões e outras coisas mais. Mas surpreendentemente, tudo se transforma em um sinergismo fantástico que nos leva , ao final, a um crescimento, que resulta em paz, compreensão, simplicidade, fazendo-nos entender o sentido destas moléstias e outras eventuais adversidades da vida. Feliz de você poder tirar tanto proveito desta relação de vida, nem todos conseguem. Para nós, seus amigos, fica mais esta lição, que também, indiretamente leva-nos a uma reflexão com consequentes alterações em nossos perfis. A partir de agora tem dentro de mim mais um pedacinho do Paulinho. Acho que a vida eterna sugerida nos dogmas religiosos passa por ai, através da troca sincera de nossas experiências. Use sim todos os meios que a tecnologia nos oferece para se doar, precisamos muito de você. Muito obrigado amigo, saúde, beijos para você e Katinha.

Bilhete que mando a amigos e parceiros

O pijama e a cueca cortados a tesoura de baixo a cima resumiam a aflição, mesmo que rotineira, da equipe médica naquele trecho entre o Pronto-atendimento do Hospital Lifecenter e o CTI, situado, creio, no 18º andar do mesmo prédio. O mais estranho para mim, embora só recupere um flash ou outro, era estar ali como protagonista e passageiro daquela correria. Fica o tributo: no 14 de março passado, a Katinha, meu amor, e o Cezinha, seu irmão, que é médico e compadre, esticaram meu tempo em cena, seguraram a luz no palco, salvaram minha vida. E nem cogito agradecimentos, só gosto que eles me vejam, mesmo ainda meio combalido, feliz como estou.
Bom mesmo eu já não estava lá vai vasto tempo. Depressão, verme, estresse, carência de energia, de vergonha, estava valendo quase qualquer palpite ou receita, e eu digerindo tudo entre o pessimista e o acomodado. De uns tempos pra cá, alguns desmaios, tonteiras, pesadelos ameaçando invadir as claridades da vigília, sonolência impedindo a rotina, mesmo frouxa, tudo cansativo e frustrante. Naquele final de manhã de sábado, alertados por alguns sintomas, Katinha e seu mano me rebocaram, contrariando minha opinião e aparente desejo, para o serviço de emergência. Os plantonistas mandaram me esquadrinhar em exames e pediram internação, em princípio preventiva. A sorte me abraçou num dos famosos locais e horas exatos, e agora é minha credora. Enquanto aguardava a liberação de um quarto, fui acometido pela crise mais violenta e assustadora, daquelas que deixam mínimos tempos para as providências que seguram a vida e tentam enxotar as sequelas.
Acordei no CTI dois ou três dias depois. Por ali fiquei, sob tratamento e atenção especiais, até o dia 21 de março, quando fui transferido (com a alegria de quem iria a Pasárgada) para o apartamento 806. Anunciada a alta médica, no dia 9 de abril, a comemoração do retorno à casa se viu acompanhada por estranho sentimento de traição, como se eu abandonasse, sem gratidão, os costumes, os afetos, os ritmos que me deram segurança, até sentido, em horas assim difíceis. Sempre fui dessas fraquezas. A ambulância sacolejando nos rumos de casa, máscara de oxigênio, sem ver nada no exterior, naquela tardinha de quinta-feira, véspera de feriado, começou a repor algumas coisas em seus lugares.
Como os males que me nocautearam se ligam especialmente à respiração (baixa saturação de oxigênio, retenção de CO², grave apnéia do sono, e correlatos), minha vida caseira anda organizada entre fisioterapias respiratórias, um concentrador elétrico de oxigênio (que substitui as antigas balas, ou botijões), um Bipap, que, ligado a uma máscara, deve comandar a respiração noturna e o sono. E mais: reforço de chamego, comidinha caseira, doses extras de sossego e paz. E confiar que corpo e mente saberão reconhecer os melhores caminhos rumo à saúde.
Estou feliz, levando a vida pra melhor, e talvez daí esse meio exibicionismo de sair contando felicidade a amigos e parceiros. Novidade mesmo é a cara raspada, pela primeira vez na vida, atendendo imposições de uma máscara respiratória. Fotos do antes e depois da transformação - conforme carinhosamente registradas pelo celular e pelo xodó da Fernanda, acompanhante e técnica em enfermagem - podem ser vistas num blog onde tento retomar meus impulsos internáuticos, gestos abandonados há quase dois anos. 

sábado, 18 de abril de 2009

Caras da vida

                          Em 21/03/09, a chegada ao apartamento no Lifecenter, vindo do CTI, a boca ainda ferida pela entubação.
Na outra foto, dia seguinte, talvez dois dias depois, nova cara e nova disposição.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Eterno retorno?


No "Rindo de nervoso...", blog que antecedeu o que ora tenta engatinhar, e que me acompanhou por cinco anos algo pioneiros, uma imagem sempre encabeçou as postagens. Ei-la como saudosa inspiração.