Dancinha

Dancinha

segunda-feira, 29 de março de 2010

Memórias do amanhã


Hoje eu acordara meio enviesado, encarando a vida com olhar de "perro herido", como dissera o Neruda. Lembranças instáveis e vácuos esganando desejos e planos, tal uma madrasta malvada moída por ciúmes. Ando meio assim. É a fase, diriam uns; coisas da idade, rebateriam outros. Meu médico, descompromissado com meus devaneios sem valia, recomendaria um reforço no uso da maquininha que me ajuda a contrariar os truques malévolos do CO² preguiçoso que andou abusando da hospedagem que lhe dei.

Foi quando me chegou um email do amigo Pedro Paulo Cava, acompanhado de uma foto, pedindo ajuda na identificação dos personagens, coisa de um livro virtual de memória que ele pretende fazer. Putz, pensei, mais recuerdos, mais memórias num dia assim, desses que parecem sem amanhã. Mas, não. O coração deu uma sacudida de energia, a consciência estranhamente se alinhou rumo ao horizonte, o corpo reconheceu a postura do querer. Frágil mistério. Logo percebi que ali estávamos nós, naquele 1969, absolutamente certos de que o futuro dependia de nós. E era exatamente o onde e o como meu filho, Ique, hoje se encontra. A chegada da vida universitária prenhe de perguntas e esperanças, e acho que imbuído daquela mesma velha certeza sobre o futuro. Senti o quanto não devo, o quanto não tenho o direito de embaçar esse brilho em seus olhos.

domingo, 14 de março de 2010

Houve o dia do não ir

Armanda Alves

Pois é, desses aniversários comuns, dos quais me lembro em cada julho, já acumulei uns 61. Desses que se contam desde aquele dia, maldito para tantos, não pra mim, em que uma mãe sentencia: "chega, cansei, vá à luta". Vem o choro, e o calendário começa a piscar, implacavelmente. E a vida corre, em ritmos diversos, sob canções várias, até que a cortina despenque ante a cena. Aplausos? Sempre sobra algum.

O aniversário que comemoro hoje é de outra espécie, meio paradoxal, posto que começa de um fim imaginado, mais que isso, de um fim pressentido. Aniversário menos compulsório, desejado, não carente de comemorações. Aniversário que se basta na constatação. Há exatamente um ano a vida ameaçou parar. A respiração perdeu seus rumos, o CO² em ataques certeiros se apossou dos miolos e das entranhas. Pane e veneno. CTI às pressas, e a grande e longa batalha: vai, não vai... vou, não vou... vai, não vou... Meus amores na ante-sala pescrutando olhares e palavras de quem se dispusesse a contrariar as aflições. Não fui, fiquei, como se pode constatar com certa habilidade e percepção.

E esse ano, com jeitão de bônus, passou rápido, com brilhos novos. Vida meio replanejada, restrições que não chegam a aborrecer muito, o Bipap, maquininha fantástica, de aluguel caríssimo, velando por meu sono e por algumas horas do dia, insuflando-me ar nos pulmões, levando alento ao diafragma combalido. Hoje, qual uma mula vivida cerceada por antolhos, reaprendo a olhar em frente, a caminhar rumo ao adiante. E que assim seja. Ponto.

Alguns episódios daquele dia, e dos que seguiram,estão contados nos primeiros "posts" desse blog.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Ave Glaucus!!!


Ai de mim! Ai de nós! Fim de meus devaneios eróticos, sempre girando em torno aos peitos de dona Marta, agora que ela morreu. O assassino babaca que hoje matou o Glauco ( e seu filho Raoni), matou muito mais do que conseguiria imaginar. Matou um bocado da nossa graça.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Delírios de uma paixão


Tutuca, velho sacana, sua obra-prima de 3º grau drenou as últimas gotículas que me restavam de auto-estima. Estou arrasado. Dei instruções à família para adicionar tal delírio gráfico ao que restar de mim na hora, que vou adiando, em que autoridades mais ou menos competentes, em consonância com suspiros derradeiros, derem a sentença: "cara, a festa é finda, chegou a hora da fogueirinha ..."

Em tempo: eu nunca, nem assim decadente, aceitaria posar com um top naquele tom de rosa.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Nevada nas Geraes

Minas se aperfeiçoa nas trilha do provincianismo personalista, talvez se espelhando nas virtudes do Maranhão de Sarney. Se for embarcar no Aeroporto Presidente Tancredo Neves, você passará ao lado da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. Mas, no caminho, se sua saúde der pane, não se preocupe: você poderá ser atendido no Pronto-Socorro Risoleta Neves.